O celular nunca é esquecido. Podemos esquecer tudo, exceto o celular. É lá que estão todas as nossas fotos, nossas notícias, nossa agenda, lista do mercado, livros, informações e dependemos dele para a nossa comunicação. Em resumo, nossa vida está lá. Quando alguém esquece o celular, também esquece sua vida dentro dele. Me dizes que aplicativos baixas e te direi quem és.
Muitos irritam-se comigo quando esqueço meu telefone, quando não estou conectado ao “Facebook” ou quando não respondo uma mensagem. Estará tudo acabado, se minha namorada ver os dois certinhos no “Whats app” e eu não responder. Dirá que não me importo com ela. Até mesmo quem nem costuma utilizar aparelhos eletrônicos perde a paciência quando perco o celular. Minha mãe se enfurece quando tenta me ligar e o meu telefone toca, no sofá, ao lado dela. Porém, tenho uma vantagem em relação aos que dizem-se “normais”: posso esquecer meu telefone, mas minha vida continuará comigo se meu telefone estiver em casa.
Ninguém nunca esquece o celular, exceto eu. Porém, há um momento em que todo mundo esquece o celular: na hora da limpeza. Nos tempos modernos nos preocupamos muito com a higiene. Lavamos as mão antes e depois de comer. A grande maioria dos que andam com roupas que são lavadas todos os dias, provavelmente, nunca lavaram o telefone celular, apesar de o terem carregado durante todos os seus atos de limpeza. Não lavam nem sequer a capinha do aparelho, que é a roupa do celular.
Almoçamos e pequenas partículas caem no apetrecho e o sujam. Vamos ao banheiro e o mesmo continua sendo infectado. Andamos pela calçada, encontramos o lixo que algum mal-educado atirou no chão, o colocamos em seu devido lugar, mas espiamos o perfil do “Facebook” de alguém antes de limpar as mãos. Depois disso tudo, lavamos as mãos e, antes de inciar a janta, alteramos o “status” para “#partiu_come_pizza” e as mãos tornam a ficar sujas.
Enquanto tudo ao nosso redor está limpo, nosso celular continua sujo e não há nenhum aplicativo que realize esse tipo de limpeza, pelo menos, por enquanto. Você já viu alguém limpando o celular? Se eu o fizesse diriam: “Olhe aquele bêbado, está lavando as mãos com um celular velho da Nokia. Deve telo confundido com um sabonete.” Nunca pude ver nenhuma placa e nem escutar alguém dizer “Lave o celular antes de almoçar”. Pois é, nesse momento, o celular está esquecido. Enquanto isso todas as bactérias estão ao seu alcance, bem ali na superfície do seu telefone.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Duas Nações e Um Só Coração Brasileiro
A cidade onde nasci, Ivoti, é pequena, tem cerca de 20 mil habitantes. Apesar de ser pequena, a cidade tem diversos pontos turísticos, como por exemplo, o maior núcleo de casas enxaimel do Brasil, a antiga igreja que fora incendiada, as escadarias e o “Belvedere”, onde pode-se ver uma paisagem cinematográfica.
Ivoti foi colonizada, inicialmente, pelos imigrantes alemães, que influenciaram muito na cultura da cidade, em que a arquitetura tem traços bem característicos. Os alemães também trouxeram algumas festas, como o “Kerb” e a “Oktoberfest”, que muito tradicionais no município. Ainda hoje, muitos falam o idioma da época, um dialeto do alemão que não é falado em nenhuma outra região do mundo.
Mais tarde, a cidade foi colonizada pelos imigrantes japoneses e Ivoti tornou-se a maior colônia japonesa do estado do Rio Grande do Sul. Os japoneses também influenciaram muito a cultura da cidade e, hoje, há um memorial que demonstra o quanto essa cultura é importante para a cidade.
Tanto alemães quanto japoneses desenvolveram fortemente a agricultura, cada um cultivando-a de acordo com seus costumes. Ambos sempre conviveram muito bem e nunca houve conflitos entre duas culturas tão diferentes.
Há 30 anos, quando meu pai ainda estudava na cidade, acontecia um fato curioso na escola: os imigrantes japoneses falavam japonês entre si e os alemães, alemão. A língua portuguesa era responsável por fazer a comunicação entre japoneses e alemães. Numa escola brasileira, em que todas as aulas eram dadas em português, via-se, na hora do intervalo, o português tomar uma posição secundária.
Hoje o nosso idioma não tem mais um papel secundário nas escolas e é falado quase exclusivamente. Apesar de muitos ainda utilizarem os idiomas das antigas pátrias, as novas gerações falam cada vez menos esses idiomas e seguem, cada vez menos, a cultura de seus ancestrais. Muitas vezes, os pais conversam com os filhos em alemão ou japonês e respondem às perguntas em português. Muitos deixam de falar os idiomas dos pais e, com o tempo os idiomas vão se perdendo.
Deveria haver uma tentativa, por parte da prefeitura e do governo, incentivando essa diversificação cultural, porque deixar de seguir essas tradições e essa cultura é desperdiçar o que diferencia a cidade de todas as outras. Uma boa ideia, que incentivaria e reconheceria a importância da escrita nesses idiomas e da memória cultural, seria a criação de uma “Olimpíada Escolar Escrevendo o Passado” similar a esta “Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro”. O retorno desse investimento, além da educação e do turismo, é a permanência de um valor cultural imensurável para a humanidade;
As escola precisam ensinar esses idiomas, estudar essas culturas, os alunos precisam aprender sobre as tradições desses dois povos e escrever tendo consciência da importância delas para a cidade.
Ivoti foi colonizada, inicialmente, pelos imigrantes alemães, que influenciaram muito na cultura da cidade, em que a arquitetura tem traços bem característicos. Os alemães também trouxeram algumas festas, como o “Kerb” e a “Oktoberfest”, que muito tradicionais no município. Ainda hoje, muitos falam o idioma da época, um dialeto do alemão que não é falado em nenhuma outra região do mundo.
Mais tarde, a cidade foi colonizada pelos imigrantes japoneses e Ivoti tornou-se a maior colônia japonesa do estado do Rio Grande do Sul. Os japoneses também influenciaram muito a cultura da cidade e, hoje, há um memorial que demonstra o quanto essa cultura é importante para a cidade.
Tanto alemães quanto japoneses desenvolveram fortemente a agricultura, cada um cultivando-a de acordo com seus costumes. Ambos sempre conviveram muito bem e nunca houve conflitos entre duas culturas tão diferentes.
Há 30 anos, quando meu pai ainda estudava na cidade, acontecia um fato curioso na escola: os imigrantes japoneses falavam japonês entre si e os alemães, alemão. A língua portuguesa era responsável por fazer a comunicação entre japoneses e alemães. Numa escola brasileira, em que todas as aulas eram dadas em português, via-se, na hora do intervalo, o português tomar uma posição secundária.
Hoje o nosso idioma não tem mais um papel secundário nas escolas e é falado quase exclusivamente. Apesar de muitos ainda utilizarem os idiomas das antigas pátrias, as novas gerações falam cada vez menos esses idiomas e seguem, cada vez menos, a cultura de seus ancestrais. Muitas vezes, os pais conversam com os filhos em alemão ou japonês e respondem às perguntas em português. Muitos deixam de falar os idiomas dos pais e, com o tempo os idiomas vão se perdendo.
Deveria haver uma tentativa, por parte da prefeitura e do governo, incentivando essa diversificação cultural, porque deixar de seguir essas tradições e essa cultura é desperdiçar o que diferencia a cidade de todas as outras. Uma boa ideia, que incentivaria e reconheceria a importância da escrita nesses idiomas e da memória cultural, seria a criação de uma “Olimpíada Escolar Escrevendo o Passado” similar a esta “Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro”. O retorno desse investimento, além da educação e do turismo, é a permanência de um valor cultural imensurável para a humanidade;
As escola precisam ensinar esses idiomas, estudar essas culturas, os alunos precisam aprender sobre as tradições desses dois povos e escrever tendo consciência da importância delas para a cidade.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
A Terrível Doença
Estava mais doente
Que qualquer outro dia
O médico atendendo seu paciente
Perguntou-me o que sentia
À noite não consigo dormir
Achava que era o colchão errado
Porém, mesmo depois de o substituir
Torno a passar as noites acordado
Depois da noite mal dormida
Durmo ao tomar café
Uma dormida por mordida
Mal consigo ficar de pé
Eu nunca me distraia
Agora, passo o dia distraído
De nada, nunca me esquecia
Agora tudo tenho esquecido
O médico pôs os óculos na mesa
E pronunciou a seguinte sentença:
Já tenho absoluta certeza
O que tens é pior que doença
Este mal danado
Que te distraí e faz esquecer
É estar perdidamente apaixonado
E não conseguir mais viver
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Uma Pessoa Desconhecida
Passaram-se já alguns anos
Que deixei de te conhecer
A saudade me causa sérios danos
Desde que contigo, deixei de viver
Sei, as coisas mudam com o tempo
Se vem e se vão com o vento
Vasta parte do que a gente viveu
No tempo já se perdeu
Vasta parte do que nos marcou
O vento já levou
Te tornas para mim
Uma pessoa desconhecida
Porém, mesmo assim
Não fostes esquecida
A minha memória
Lembranças tuas me traz
E de lá, a nossa história
Não sairá jamais
A natureza nos trouxe a ventania
Que te levou do meu dia-a-dia
Fato este que iria
Tornar triste minha poesia
Natureza, minha majestade
Afasta de mim esta tempestade
De mudanças e transformações
Que tanto afeta esses dois corações
Problemas de Arranque
Desejava eu ir à farmácia para repor os meus remédios, que haviam acabado ontem. Entrei no meu velho Fusca de 1974 e girei a chave, porém este não ligou. Tentei novamente, mas o carro não dava a partida. Olhei para o painel e o indicador da gasolina indicava que havia acabado o combustível. Como isto poderia ser possível, se abasteci totalmente o veículo na semana passada? Haveria um vazamento no tanque?
Na mesma hora, Alisson, meu vizinho, saiu de sua garagem. Vendo minha cara de preocupado perguntou-me o que aconteceu. Expliquei o ocorrido.
-Foi o dono do Bar da Esquina, não tenho dúvidas, eu mesmo já o peguei roubando gasolina do meu carro - advertiu-me Alisson.
O dono do Bar da Esquina não tinha mesmo boa fama e já o flagraram roubando diversas vezes. Alisson, solidário, ofereceu-me uma carona até a farmácia. Comprei meus remédios e, em seguida, passei no posto para adquirir gasolina, que levei para casa em um recipiente metálico. Regressei à minha casa de ônibus.
Já na garagem de casa, após colocar um pouco de gasolina no meu carro, tive uma iluminada ideia: misturar água junto à gasolina. Como estava de férias, não seria necessário utilizá-lo por um longo período e quando fosse necessário, bastaria sugar a gasolina a um recipiente externo e recolocar gasolina pura no tanque.
Passada uma semana, ao olhar pela janela, avistei o guincho da oficina rebocando o carro do Alisson, meu vizinho. Fui averiguar o acontecimento.
Perguntei ao Alisson sobre o ocorrido e o mesmo me respondeu com um tom de voz grave:
-Meu carro está com problemas de arranque. O mecânico suspeita que alguém misturou água com minha gasolina, aposto que foi aquele malfeitor, dono do Bar da Esquina.
Mi Miedo
Tengo miedo de decir
Que te quiero
Tengo miedo de oír
Lo que no espero
Mis ojos no dejan de mirar
La chica más valiosa
Mi poesía no deja de hablar
De la chica más hermosa
Cuando te conocí
Conocí la más increíble
Entonces yo presumí
Que mi amor es indefinible
Pero tengo miedo de oír
Lo que no espero
Tengo miedo que vás decir:
No te quiero
O universo é uma música
No infinito disperso
É uma música o universo
Perfeitamente ordenado e harmonioso
Afinado e curioso
Como na música podes ver
Uma ordem, tudo parece ter
Toda nota, é no tempo certo tocada
Para que a música seja aclamada
Sons de silêncio
Nesta calma canção
Sons que vivencio
Se espalham pela imensidão
De onde vens infinita Grandeza?
Quem te deu tamanha Beleza?
Sei que és a mais bela sinfonia
Mas, quem te compôs, bela Melodia?
Música eterna, não vai terminar
Como um dia irá se acabar
O tempo da humanidade
Dentro desta eternidade
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